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Antiespumantes no radar das tintas eficiência, sustentabilidade e desafios para 2026 - Know More. Create More.


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Antiespumantes no radar das tintas eficiência, sustentabilidade e desafios para 2026

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Com o fechamento de 2025 se aproximando, o setor de tintas está olhando para as suas cadeias de produção com um foco cada vez mais estratégico.

Por Rodrigo Rezende

Há uma pressão crescente para ganhos operacionais, menos retrabalho e formulações mais sustentáveis, e nesse movimento, os antiespumantes se posicionam como aliados essenciais. Tradicionalmente vistos apenas como aditivos para “quebrar espuma”, eles passam por uma reavaliação. Agora, são demandados por sua multifuncionalidade, compatibilidade e eficiência.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), o mercado nacional de tintas vive um momento robusto. Em 2024, as vendas somaram quase 2 bilhões de litros, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior – o melhor resultado da série histórica, que colocou o Brasil como o quarto maior produtor do mundo, superando a Alemanha. A previsão da associação para 2025, divulgada no primeiro semestre, era de crescimento mais moderado, entre 2% e 2,5%.

Esse resultado reforça a importância de aditivos que possam otimizar cada etapa da produção, da dispersão à aplicação. E essa demanda por eficiência se dá em um contexto em que o Brasil figura entre os grandes produtores globais de tintas.

Nos relatórios mais recentes da Abrafati, um destaque vem da presença de centenas de fabricantes nacionais, embora os 10 maiores respondam por cerca de 75% do volume total das vendas.

Além disso, a associação revisou recentemente os seus números para o segmento industrial. Com a consultoria Rácz & Yamaga, estimou que a produção industrial atingiu 347 milhões de litros em 2022, bem acima das estimativas anteriores, o que mostra que o potencial desse segmento talvez estivesse subdimensionado.

No plano macro, a previsão para o mercado de tintas brasileiro segue otimista. Estudos de consultorias internacionais apontam para um CAGR (taxa composta de crescimento anual) de cerca de 5% até 2030, impulsionado por formulações mais especializadas, sustentabilidade e inovação tecnológica. Já para o segmento de revestimentos industriais, a estimativa é de crescimento de 3,2% entre 2025 e 2030.

É nesse cenário de expansão e sofisticação que os antiespumantes estão ganhando relevo renovado. Mais do que reagir à espuma gerada nos tanques ou linhas de envase, o aditivo tornou-se parte de uma estratégia industrial para reduzir custos “invisíveis”. Aqueles ligados a retrabalho, variação de viscosidade, incorporação de ar e inconsistências entre lotes.

Profissionais do mercado de tintas apontam forte investimento em antiespumantes de “nova geração”. Sistemas mais concentrados, tecnicamente mais eficientes e com compatibilidade aprimorada com resinas modernas e fórmulas low-voc. A expressão “nova geração” não é padronizada no setor, mas resume bem a trajetória de evolução, com produtos que quebram espuma com menor dosagem, preservam a estabilidade da tinta e interferem menos nas propriedades reológicas.

Esse movimento técnico reflete uma demanda cada vez mais sofisticada por parte dos formuladores. Em fórmulas premium, base água ou produtos com restrição de emissões, não basta um antiespumante eficaz. Ele precisa compor bem com outros aditivos, não prejudicar o nivelamento e manter o seu efeito ao longo do tempo. A compatibilidade se torna, então, um critério tão crítico quanto ao “poder de desespumação”.

Além do mais, há interesse real por parte das empresas de matérias-primas em desenvolver soluções mais sustentáveis. Isso não se limita a reduzir VOC ou solventes, mas também envolve oferecer antiespumantes cujo uso minimiza retrabalhos, reduz perdas por espuma persistente e, consequentemente, diminui o desperdício operacional.

Em outras palavras, menos espuma significa menos custo “invisível” e maior previsibilidade na linha de produção. Nos processos industriais, a espuma pode causar defeitos no revestimento da superfície e criar problemas de formação. A Allnex, por exemplo, oferece uma solução eficaz para controlar esses problemas por meio de antiespumantes e desaeradores criados para esse uso específico.

“Nossos antiespumantes e desaeradores modificados e altamente eficazes à base de hidrocarboneto ou silicone podem ser usados na maioria dos sistemas de tinta à base de água. Eles foram desenvolvidos para oferecer compatibilidade com vários sistemas e permitir que os formuladores criem revestimentos perfeitos”, a empresa afirma.No Abrafati Show 2025 (leia aqui nossa cobertura), a Intercroma, de São Bento do Sul (SC), destacou a sua linha Inoaesp de antiespumantes eficientes, com destaque para o Inoaesp 52, ideal para sistemas base solvente.

Segundo Guilherme Barbosa, químico da Intercroma, o diferencial da empresa está no desenvolvimento de soluções que entregam alto desempenho, estabilidade e confiabilidade para os formuladores. “Desenvolvemos soluções que atendem às reais necessidades dos formuladores, com alto desempenho e estabilidade”, diz.

A Dinaco também apresentou novidades no evento, entre elas os antiespumantes Uniqfoam, da Uniqchem. Esses itens são inovadores por combinarem alta eficiência na supressão de espuma com características que minimizam riscos ambientais e danos aos equipamentos. A inovação vem pela capacidade de reduzir a formação de espuma sem usar silicone. Em tintas, um benefício disso pode ser evitar manchas. 

A inovação tem sido contínua nesse segmento. Pouco mais de um ano antes, a Evonik apresentava antiespumantes que prometiam mais sustentabilidade em revestimentos arquitetônicos.

Um deles, concentrado antiespumante à base de siloxano que oferece equilíbrio excepcional de eficiência e compatibilidade, segundo a empresa, especialmente para revestimentos de PVC de baixa a média concentração. Outro, uma emulsão antiespumante à base de siloxano que é otimizada para revestimentos de alto PVC. Com 15% de ingrediente ativo, esta solução representa uma alternativa altamente eficaz e mais ecológica aos antiespumantes tradicionais à base de óleo mineral. 

Ambas as soluções demonstram compromisso com a responsabilidade ambiental, uma vez que apresentam “baixíssimo teor de VOC e SVOC e não contêm solventes ou óleos minerais”. Outro ponto favorável é que a primeira formulação contém 25% de material renovável, reduzindo o impacto ambiental de revestimentos e tintas sem sacrificar a qualidade ou o desempenho. 

Multifuncionalidade

Do lado dos formuladores, essa pressão por multifuncionalidade cresce à medida em que os processos de produção se tornam mais rigorosos. A espuma pode atrapalhar seriamente o envase, gerar bolhas durante o armazenamento ou comprometer a textura e o acabamento final. Um antiespumante bem calibrado pode mitigar esses problemas, reduzindo falhas visuais e trazendo ganhos de produtividade.

Mas a transição para essas soluções mais sofisticadas envolve obstáculos. Um dos principais é a compatibilidade, afinal nem todo antiespumante “moderno” se encaixa bem em todos os tipos de resina ou formulação. Outro ponto é que produzir aditivos altamente ativos e eficientes exige investimento em P&D, o que pode refletir no custo para o formulador, especialmente quando se trata de tintas sensíveis ou formuladas para nichos premium.

Para 2026, a tendência é que a demanda por antiespumantes se aprofunde ainda mais nesse sentido. Não simplesmente “desespumar”, mas garantir estabilidade, desempenho e sustentabilidade. A maturidade dos laboratórios de formuladores brasileiros, aliada à oferta cada vez mais técnica dos fornecedores, deve favorecer esse movimento.

Técnicos do setor também destacam uma mudança de mentalidade. O antiespumante deixa de ser visto como insumo secundário e passa a ser estratégico. A escolha correta pode reduzir variabilidade de lote, evitar descarte de material, minimizar intervenções manuais e dar mais previsibilidade à produção.Quando bem dimensionado, ele entrega valor para toda a cadeia, do produtor de matéria-prima ao fabricante até o consumidor final.

De toda forma, vale destacar que antiespumantes, assim como diversos outros aditivos técnicos essenciais à formulação, raramente aparecem nas estratégias de marketing das marcas de tintas voltadas ao consumidor final.

Enquanto fornecedores como BYK, Tego e Momentive investem em comunicação técnica sobre o desempenho superior, estabilidade e custo-benefício de suas linhas de antiespumantes para os formuladores, as grandes marcas de tintas preferem traduzir esses benefícios técnicos em atributos perceptíveis ao consumidor. Como melhor acabamento, ausência de defeitos superficiais, aplicação facilitada e cobertura uniforme.

Mas a diferença é clara: no mercado B2B, fala-se abertamente sobre antiespumantes e sua performance; no B2C, esses aditivos permanecem nos bastidores, enquanto os holofotes iluminam tecnologias de lavabilidade, secagem rápida e resistência a manchas. É a mesma inovação, mas com linguagens completamente distintas para públicos diferentes.

Para 2026, a combinação de demanda por tintas mais sofisticadas, foco em sustentabilidade e necessidade de eficiência faz com que os antiespumantes – antes “coadjuvantes técnicos” – possam finalmente se tornar protagonistas estratégicos na fórmula do sucesso.

Sinergia entre formuladores e fornecedores

Se há algo que une fabricantes de tintas e fornecedores de aditivos em 2025, é a percepção de que o antiespumante deixou de ser um insumo discreto. Ele se tornou um ponto crítico de performance, estabilidade e sustentabilidade. E, segundo profissionais do mercado, essa mudança vem sendo acelerada por pressões regulatórias, complexidade das formulações e pela busca por maior produtividade industrial.

Para Felipe Diotaiuti, gerente de marketing de produtos da Tintas Eucatex, o desafio começa no básico. Espuma é inerente ao processo, e um erro de escolha ou de etapa pode comprometer toda a operação. “É muito importante usar o antiespumante certo, na etapa produtiva correta”, diz.

Uma seleção inadequada pode afetar nivelamento, densidade e até a velocidade de dispersão, abrindo espaço para perdas produtivas e retrabalho. O executivo lembra que, em linhas envasadas por volume, a estabilidade da densidade é crítica, qualquer variação impacta diretamente o envase e a padronização entre lotes.

Do lado dos fornecedores, a avaliação é semelhante, porém ampliada pelo olhar de quem acompanha dezenas de formulações simultaneamente. Para Camilo Alvarado, responsável pelo marketing de dispersões, resinas e aditivos da Basf, a exigência atual vai além do simples “quebrar espuma”. É preciso entregar equilíbrio entre desaeração, compatibilidade e impacto mínimo nas propriedades finais.

Compatibilidade como eixo central

Os dois executivos convergem em um ponto: a compatibilidade tornou-se o critério mais sensível da seleção de antiespumantes. Para Diotaiuti, cada tipo de tinta, especialmente quando se trata de PVC alto ou baixo brilho, exige uma calibragem fina. Em sistemas de maior PVC, antiespumantes compatíveis, como óleos emulsionados, são usuais; já em linhas premium ou de brilho elevado, é necessário trabalhar com aditivos mais incompatíveis, que exigem atenção redobrada na dosagem.

“Avaliamos o tipo de química, a etapa de processo onde deve ser adicionado e a eficiência. Não pode comprometer a performance do produto”, reforça.Alvarado destaca que essa complexidade aumenta em sistemas industriais e automotivos, como epóxi ou PU 2K, em que a compatibilidade inadequada pode gerar turbidez, defeitos de filme ou microbolhas persistentes. Nesse contexto, séries como Efka SI e FoamStar surgem justamente para entregar desaeração superior e consistência em sistemas altamente técnicos.

A força da agenda ambiental também vem com destaque. Do lado dos formuladores, a Tintas Eucatex relata uma migração crescente para soluções “verdes”, com aditivos multifuncionais e matérias-primas de fontes renováveis ganhando espaço. Uma mudança impulsionada também pela redução de solventes em algumas linhas, o que exige reavaliar o antiespumante ideal.

Os fornecedores, por sua vez, já trabalham com portfólios estruturados para atender a essa virada. Na Basf, soluções como FoamStar SI 2210 (39% renovável) e Foamaster NO 2306 (51% renovável) foram desenvolvidas para substituir antiespumantes tradicionais à base de óleo mineral em tintas arquitetônicas.

“A nova geração responde diretamente às regulamentações e à crescente consciência ambiental do mercado”, afirma Alvarado. O executivo reforça ainda a tendência global de eliminação de PFAs, APEO e a busca por baixo VOC, pontos também citados por Diotaiuti, que prevê a substituição de tecnologias fluoradas por questões ambientais e de saúde.

Ganho invisível que virou prioridade

Embora a espuma seja percebida como problema de aplicação, ambos os especialistas ouvidos pela nossa reportagem destacam que o maior impacto ocorre na produtividade. Segundo Diotaiuti, um antiespumante adicionado na etapa correta pode “dobrar a eficiência de um processo longo, como uma moagem”. Ele afirma que o acerto técnico resulta em ganho de velocidade na dispersão, estabilidade no envase e maior previsibilidade do processo.

Alvarado reforça que os ganhos são igualmente claros no suporte técnico da Basf, especialmente na adoção das novas séries Efka SI para sistemas de alta complexidade. Mesmo sem divulgar dados específicos, ele afirma que a melhoria de acabamento e a redução de defeitos se mostram recorrentes nos testes de clientes.

Ambos também apontam que a evolução dos sistemas, mais sólidos, menos VOC, mais sensíveis e com cada vez mais requisitos de desempenho, tem elevado a exigência sobre os antiespumantes.

Para Alvarado, o desafio central é equilibrar performance com responsabilidade ambiental, sem sacrificar compatibilidade e eficiência a longo prazo. A Basf tem se apoiado em P&D e em serviços digitais, como a plataforma Lab Assistant, para oferecer soluções ajustadas a sistemas arquitetônicos, automotivos e industriais.

Já Diotaiuti observa que a redução de certos solventes força revisões completas de formulações, tornando a compatibilização um exercício ainda mais minucioso. A decisão final passa por custo, química, dosagem, impacto físico-químico e sensibilidade de incorporação – um conjunto de variáveis que se intensifica à medida que as tintas se tornam mais sofisticadas.

O que vem pela frente

Quando olham para 2026, Eucatex e Basf convergem novamente. Do lado dos fabricantes, cresce a expectativa por antiespumantes eficientes, sustentáveis e altamente compatíveis, capazes de reduzir retrabalho e variabilidade entre lotes.

Para os fornecedores, o futuro passa pela colaboração contínua com os formuladores, nacionalização de produção para reduzir riscos na cadeia, maior conteúdo renovável e tecnologia que una alto desempenho e menor impacto ambiental.

A sensação comum é que o antiespumante está deixando definitivamente o papel de aditivo periférico. “As demandas estão cada vez mais alinhadas com a sustentabilidade”, resume Diotaiuti. Alvarado completa ao lembrar que o mercado exige não só desempenho, mas também responsabilidade ambiental e previsibilidade.

Seja no laboratório, no tanque de dispersão ou no envase, o que se desenha é uma nova era para esses aditivos. Mais estratégica, mais técnica e mais integrada ao desempenho total da tinta

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