ESG no varejo de tintas: o futuro sustentável começa agora

Por que o varejo de tintas precisa assumir o protagonismo na agenda ESG e transformar sustentabilidade em estratégia
O setor de tintas no Brasil está vivendo um momento de transformação. Se por um lado a indústria já caminha com passos firmes rumo à sustentabilidade –com programas consolidados como o PSS (Programa Setorial de Sustentabilidade), da Abrafati, em parceria com o Instituto Akatu – por outro, o varejo ainda engatinha nessa pauta, muitas vezes sem clareza sobre o que realmente significa incorporar práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) na operação diária da loja.
Mas essa realidade precisa mudar. E rápido.
A sustentabilidade já não é mais uma opção, é uma exigência legal e de mercado. A Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Ou seja: não é só a indústria que precisa cuidar do descarte adequado de resíduos, como embalagens de tinta, solventes e outros materiais. O varejo também é corresponsável.
Ainda que existam iniciativas como o Prolata (programa de logística reversa das embalagens de aço), elas são pouco visíveis no ponto de venda. Poucas lojas de tinta hoje possuem pontos de coleta e orientam os seus clientes sobre descarte consciente, e isso vem aumentando organicamente. E é fator determinante que as lojas envolvam os seus colaboradores nesse tema.
Infelizmente, muitos lojistas ainda enxergam o ESG apenas como “custo”, quando, na verdade, ele deve ser visto como investimento estratégico.
As novas gerações estão chegando ao poder de compra
E estão chegando exigindo mais. Gerações como a Z e Alpha, nativas digitais, cresceram discutindo meio ambiente nas escolas e nas redes sociais. Elas não compram apenas um produto, compram um propósito. E isso vale também para quem está reformando a casa, pintando o quarto ou construindo o primeiro imóvel. Cada vez mais, o consumidor quer saber: essa loja respeita o planeta? Esse produto é seguro? Esse atendimento é ético?
Portanto, o ESG não pode mais ser tratado como um “tema da indústria”. Ele precisa entrar na pauta estratégica do varejo de tintas, especialmente no varejo especializado, que tem como diferencial justamente o atendimento técnico, a proximidade com o cliente e a possibilidade de educar o mercado.
Oportunidades para o varejo com ESG
1 – Marketing e posicionamento de marca
Uma loja que promove a reciclagem de latas, economiza água no processo de limpeza de ferramentas ou treina seus vendedores sobre sustentabilidade pode transformar isso em narrativa de marca. Isso fideliza o cliente, gera mídia espontânea e diferencia o negócio dos grandes home centers.
2 – Engajamento da equipe
Colaboradores mais jovens querem trabalhar em empresas com propósito. O ESG pode (e deve) ser parte da cultura organizacional, envolvendo desde práticas internas até ações sociais com a comunidade local.
3 – Parcerias estratégicas
Indústrias que já possuem programas de sustentabilidade buscam cada vez mais parceiros no varejo para amplificar seus resultados. Um lojista que se alinha a esses valores ganha preferência em treinamentos, campanhas cooperadas e até negociações comerciais.
4 – Atenção ao ESG como tendência de crédito e investimento
Em pouco tempo, linhas de crédito para reformas e negócios estarão mais baratas para empresas que comprovarem boas práticas ambientais e sociais. Isso já acontece em outros setores.
O varejo de tintas tem um papel fundamental na cadeia da sustentabilidade. O movimento ESG já está impactando a indústria – e muito em breve, atingirá o varejo com mais força. Antecipar-se a essa tendência não é só uma questão de consciência ambiental ou de atender à legislação. É, sobretudo, uma oportunidade de liderar um novo tempo no setor de tintas.
A loja que se posicionar agora, com clareza, coerência e ação, terá a chance de conquistar o consumidor do futuro – hoje.
Salvador estreia como articulista colaborado do portal Paint Innovation nesse mês de maio. Esperamos que você curta, até o próximo mês!
Artigo de Salvador Nascimento consultor com mais de 30 anos de experiência no varejo de tintas

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