O varejo também começou a se mover

O mercado de tintas vive um momento de transformações importantes. Depois de acompanharmos movimentos relevantes na indústria, agora é a vez do varejo demonstrar que também está se reorganizando para enfrentar um cenário cada vez mais competitivo.
Nos últimos meses, temos observado fusões, aquisições, associações estratégicas, expansão de franquias e outras iniciativas que evidenciam uma mudança de postura dos lojistas. Mais do que crescer em número de lojas, o objetivo parece ser outro: ganhar escala, aumentar o poder de negociação, compartilhar estruturas, otimizar processos e melhorar a rentabilidade dos negócios.
Em meio a esse cenário, surgem muitas interpretações equivocadas. Uma delas é a ideia de que esses movimentos levarão, inevitavelmente, à exclusividade no fornecimento ou até mesmo à concentração absoluta do mercado. Não é essa a percepção que tenho nas conversas com empresários envolvidos nessas transformações.
O que se percebe é uma preocupação muito maior em fortalecer as empresas para que elas tenham mais relevância nas negociações comerciais, sempre respeitando as estratégias e os limites das próprias indústrias. O foco não está apenas em comprar melhor. Está, principalmente, em administrar melhor.
Os grupos que lideram esse novo momento sabem que competitividade não nasce apenas de descontos. Ela depende de processos eficientes, gestão profissional, equipes capacitadas, indicadores bem acompanhados e uma venda cada vez mais consultiva e orientada para a geração de valor.
Talvez este seja o aspecto mais importante dessa nova fase: olhar menos para o concorrente e mais para dentro da própria empresa. Melhorar a gestão, desenvolver pessoas, elevar a experiência do cliente e construir diferenciais que vão muito além do preço.
O varejo especializado em tintas está entrando em uma nova etapa da sua história. E, ao que tudo indica, os protagonistas desse novo ciclo serão aqueles que entenderem que crescer não significa apenas vender mais, mas também vender melhor. Porque, no fim das contas, escala abre portas. Mas é a competência que garante a permanência.

Artigo de Salvador Nascimento consultor com mais de 30 anos de experiência no varejo de tintas
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