Marca de tintas espera faturar R$ 1 bilhão este ano

A Anjo Tintas foi criada por Beto Colombo na década de 1980 em Santa Catarina. Hoje, o negócio é comandado pelo filho, Filipe Colombo
Foi dentro de uma garagem, na década de 1980, em Santa Catarina, que nasceu um negócio familiar que almeja se tornar bilionário em 2023. Em 1986, na cidade de Criciúma, Beto Colombo trabalhava como vendedor externo de uma loja de tintas. Ao ver que um produto de forte demanda enfrentava um grande problema de logística, ele percebeu uma oportunidade de negócio. Vendeu o próprio carro, comprou uma máquina de mistura e, na garagem de casa, iniciou o que veio a se tornar a Anjo Tintas.
Hoje, a empresa é uma das maiores marcas de tinta no Brasil. A fábrica, em Criciúma, tem quatro plantas industriais, cada uma voltada a uma frente de produção: tintas para veículos, casa, indústria e embalagens. São três centros de distribuição (CD), localizados em Santa Catarina, São Paulo e Goiás. Em 2022, a empresa teve um faturamento de R$ 838 milhões. Para 2023, a meta é chegar a R$ 1 bilhão.
Jornada empreendedora
A ideia de empreender surgiu de um problema enfrentado na empresa em que Beto trabalhava. Na época, uma massa plástica vendida na loja tinha alta procura. Porém, como era comprada de um fornecedor de São Paulo, a demora no transporte entre as duas cidades levava o produto a estragar nas prateleiras, devido ao curto prazo de validade.
“A ideia surgiu da logística para entregar o produto”, conta Beto. “Na época, eu tinha um Monza, porque eu trabalhava como vendedor externo. Entreguei esse automóvel em troca de maquinário e alguma matéria-prima [para produzir a massa]. Assim foi o início da Anjo, num fundo de quintal, tirando o carro e fabricando”, conta.
Quando abriu o negócio, Colombo fazia a entrega da produção com o carro emprestado do sogro, já que havia vendido o seu para empreender. Com a produção local e a logística própria, conseguiu encurtar o processo de entrega para as lojas e, consequentemente, aumentou a vida útil do produto. Assim, a empresa começou a deslanchar.
O nome do negócio veio de duas inspirações: a especialização em teologia que Beto fazia na época, na qual realizava um trabalho de conclusão de curso sobre “anjo da guarda”, e o seu primogênito, Filipe Colombo, atual presidente da companhia.
“No dia 27 de fevereiro (de 1986), quando firmei o negócio, nasceu Filipe. Assim que entrei no quarto, a enfermeira falou: ‘Olha aqui, teu filho tem cara de anjo’. Então decidi botar o nome da empresa de anjo”, narra Colombo.
Segundo o fundador da companhia, o nome já tinha sido registrado como produto químico, mas ele comprou o direito para ter a marca. A empresa nasceu como “Anjo Massa Plástica”, tornando-se depois, com a expansão do portfólio, “Anjo Química do Brasil”. Hoje, é chamada de Anjo Tintas e Solventes.
Ganhando asas
A empresa começou a crescer e ganhar espaço no mercado de Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. Aos poucos, foram necessários mais veículos para atender toda a demanda. No início de 1990, Beto diz que deu o primeiro salto, com o desenvolvimento e venda de emborrachamentos automotivos. Mas o primeiro “boom” aconteceu a partir de 1994, quando a Anjo começou a produzir solventes, após descobrir que uma grande concorrente do setor passava por problemas financeiros. Em 12 meses, o faturamento anual cresceu quase dez vezes, passando de R$ 500 mil para R$ 4,5 milhões.
Para dar essa escala ao negócio, o fundador da companhia conta que vendeu, outra vez, seu patrimônio para investir na construção de uma nova fábrica. “[Com o crescimento] começa a faltar tudo”, diz Beto, citando como exemplo o capital de giro. “Já tinha vendido meu carro lá atrás e, em 1996, começou tudo de novo. Vendemos a nossa casa, nosso carro e colocamos na empresa.”
“Quando construímos a fábrica nova, em 1997, nós fomos ajudados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), através do Badesc, que tinha um plano de incentivos. Esses bancos de fomento foram importantíssimos no boom de crescimento que a nossa empresa teve”, afirma o empreendedor.
O avanço se refletiu também na profissionalização. Foram adotadas, por exemplo, boas práticas de governança. Houve também a integração de todas as áreas da companhia. Essa mudança de cultura gerou a necessidade de mais conhecimento, e Beto disse que voltou a estudar – dessa vez, administração.
“Tive que voltar para o banco da escola porque aquele meu conhecimento em gestão não era suficiente”, diz ele. “Começamos a tirar amigos e parentes que não rendiam. Tivemos que profissionalizar e botar governança desde ali.”
Sob nova direção
Hoje, a Anjo Tintas é comandada pelo filho do empreendedor, Filipe Colombo. “Eu quero fazer o que o Beto faz”, diz Filipe. Por ter nascido praticamente junto com a empresa, a Anjo sempre esteve próxima de sua rotina.
Foi na empresa onde ele iniciou sua jornada profissional, passando por várias áreas até assumir o posto máximo de comando, em 2008, quando tinha 27 anos.
“Logo que assumi a empresa, passamos por algumas dificuldades bem grandes, como uma troca de diretores que acabou dando uma abalada no negócio, e um incêndio em uma das unidades produtivas”, recorda Filipe.
Após dar a volta por cima, diz ele, a Anjo se tornou uma das principais empresas do ramo no país, com 450 funcionários diretos, 80 representantes comerciais e relações comerciais com 19 países.
Em 2022, a empresa teve um faturamento de R$ 838 milhões e, para 2023, a meta é chegar a R$ 1 bilhão. Entre as estratégias para alavancar o crescimento está a inauguração, no segundo semestre deste ano, da nova unidade da fábrica de produtos para automotivos – a anterior será um novo CD. Com o investimento de R$ 70 milhões na nova planta, a expectativa é triplicar a capacidade produtiva. “Vamos produzir mais e mais rápido, e entregar o produto numa velocidade maior para o nosso cliente”, diz o CEO.
Fonte: Revista PEGN 07.02.2023
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