Suvinil e Glasu projetam maior venda de tintas em 2023

Mercado como um todo espera aumento no ano, após queda em 2022; região Nordeste puxou demanda por material
O ano de 2023 correu melhor do que o esperado para o segmento de tintas decorativas da Basf, que fabrica as marcas Suvinil e Glasu. Após queda de 3,5% nas vendas em 2022, o vice-presidente da área para a América do Sul, Marcos Allemann, projeta agora crescimento de 3% a 3,5%, pouco acima do previsto pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) para o país, alta de 2% a 2,5%.
Segundo Allemann, esse resultado é puxado pela região Nordeste, onde o setor tem encontrado boa performance. “O foco, com o novo governo, voltou mais para o Nordeste, tivemos a reativação de alguns programas sociais”, afirma. Ainda de acordo com ele, há uma diferença de poder de compra na região, em relação à média do país, que vem sendo atacada, o que potencializa a resposta dos consumidores.
Por causa dessa percepção, a Basf decidiu ampliar a produção na sua fábrica em Jaboatão dos Guararapes (PE), que hoje responde por cerca de 10% do que é produzido pela companhia no país – os 90% restantes vêm da fábrica em São Bernardo do Campo (SP), que recebeu investimento de R$ 50 milhões no início deste ano, para modernizar seu processo produtivo.
A expectativa do executivo é investir de um quinto a um sexto desse valor, o que já permitiria dobrar a operação em Pernambuco e elevar a participação no total produzido para 15%.
Luiz Cornacchioni, presidente da Abrafati, avalia que há condições para terminar o ano com 1,9 bilhão de litros de tinta vendidos no país. As tintas decorativas, usadas em imóveis, são 75% disso.
O aumento de até 2,5% no volume vendido se contrapõe à queda de 4% em 2022. Para o próximo ano, a entidade prevê crescimento estável. “Imaginando que devemos ter inflação sob controle e tendência de redução de juros, olhar 2% [de aumento] para 2024 não é difícil”, diz Cornacchioni.
O Brasil é hoje o quinto maior produtor de tintas no mundo, atrás da China, dos Estados Unidos, da Índia e da Alemanha.
A Basf está otimista com o futuro do que há um ano, quando havia “muitas incertezas com o novo governo”, diz Allemann. O aumento esperado para 2023 também se reflete em ganho de margem, que a empresa vem tentando recuperar desde a pandemia, quando a alta das commodities elevou os custos com matéria-prima. Hoje, há estabilidade. “Voltaremos em 2024 para a normalidade histórica do custo de matérias-primas.”
O setor de tintas tem se favorecido do ciclo de entrega de imóveis lançados na pandemia, quando a queda dos juros incentivou uma atividade mais forte do mercado imobiliário. No entanto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) aponta recuo de 20,3% nos lançamentos no terceiro trimestre, na comparação anual.
Fonte: Valor 04.11.2023
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