Tintas MC compra três redes concorrentes em Santa Catarina e quer avançar com franquias

Investimento de R$ 10 milhões envolveu a aquisição de nove lojas de outras marcas e duas recompras de unidades franqueadas. Rede faturou R$ 400 milhões no ano passado e pretende crescer 40% em 2023
Como estratégia para ampliar a presença em Santa Catarina, a rede de franquias Tintas MC resolveu adquirir três pequenas redes locais e transformá-las em unidades da marca. O investimento total de R$ 10 milhões trouxe para o negócio cinco lojas da Colormar, duas da Casa da Pintura e duas da Bigaçu. Entram na conta também duas franquias Tintas MC que foram recompradas pela marca e se tornaram lojas próprias. Assim, a marca assume a operação de 11 lojas, no total.
As novas operações abrem caminho para a empresa nas cidades de Florianópolis, Biguaçu e São José. De acordo com Renato Sá, CEO da rede, o investimento levou cerca de um ano para ser concluído. “Santa Catarina é um dos estados que mais têm crescido no nosso segmento, com uma série de projetos de construção civil. Esperamos ter o retorno desse investimento em até 24 meses, e estamos monitorando outros estados”, diz.
A Tintas MC passa a ter 19 lojas na região Sul do país. A estimativa é que a conversão de layout nas novas operações seja concluída ainda no primeiro semestre.
A Tintas MC tem 59 anos de existência e há seis anos aderiu ao modelo de franquias. Com as aquisições, a marca opera 85 lojas próprias e 106 unidades franqueadas — a marca bateu a barreira das 100 na virada do ano. O crescimento corresponde a um avanço de 32% sobre 2021.
“2022 foi um ano desafiador, mas encerramos com R$ 400 milhões em vendas, entre lojas próprias e franquias. Foi um recorde histórico nosso”
De acordo com o empreendedor, novas aquisições podem ser anunciadas em breve. A Tintas MC tem olhado para empresas do ramo que são tradicionais, que operam com fornecedores parecidos e que representem uma oportunidade de ganho de mercado.
Todo esse crescimento tem um alvo certo: os estímulos à construção civil que podem derivar de programas como o relançamento do Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
Como grande parte das empresas que operam no nicho de reformas e construção, a Tintas MC experimentou um crescimento vertiginoso ao longo de 2020, impulsionado pelo distanciamento social, que motivou o boom de obras residenciais. No ano passado, mesmo com a acomodação da demanda, o nicho cresceu em vendas. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de casa e construção faturou R$ 15,9 bilhões em 2022, um avanço de 7,4% em relação ao ano anterior.
No entanto, diferentemente de outros setores, a venda por canais digitais se ateve ao WhatsApp. O aplicativo ganhou importância no dia a dia das lojas físicas, mas o e-commerce corresponde apenas a 1% do faturamento da marca.
Para este ano, a meta é chegar a 140 franquias, um crescimento de quase 40%. “Planejamos atingir 350 franquias e 150 lojas próprias em 2026”, afirma. O Nordeste deve receber boa parte dessas lojas, com dez inaugurações previstas só em Fortaleza (CE). Sá quer ter 200 operações nos estados da região nos próximos anos.
O investimento inicial para se tornar um franqueado é a partir de R$ 400 mil. A rede também opera com o modelo de conversão de bandeira — quando uma loja independente se torna franquia —, que demanda um aporte em torno de R$ 100 mil.
Empresa está sob comando da segunda geração
A Tintas MC foi fundada em 1964 pelo casal Manoel e Cleide Sá (daí o nome MC), na região da Mooca, em São Paulo. Pouco tempo depois, Manoel convidou o irmão Armando Sá para fazer parte do negócio.
Com o crescimento, em 1968 a empresa mudou a sede para o bairro do Belém, também em São Paulo, e outro irmão entrou no negócio: Amílcar Sá, pai de Renato, o atual CEO. Foi nessa época que a rede iniciou a expansão de lojas, em parceria com fornecedores como Suvinil, Coral, Sherwin Williams, Tigre, Norton e Exin, entre outras.
Renato Sá começou a trabalhar na empresa como balconista quando tinha 15 anos, mas saiu aos 31 para fundar o próprio negócio, a Distribuidora Premium. Dez anos depois, voltou para a empresa da família e criou a holding Aliar, que é a atual dona da Tintas MC e da distribuidora criada por ele, além da Aquarela Tintas e da Flok Tecido Adesivo. Dos fundadores originais, apenas Amílcar está vivo, e hoje atua como presidente do conselho do grupo Aliar.
Fonte: Revista PEGN 05.04.2023
Comments are closed.